Meu twitter: @APaulaMedeeiros
Mostrando postagens com marcador IMORTAIS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador IMORTAIS. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de julho de 2014

"Não sei, só sei que foi assim!"

Faleceu neste dia 23 de julho, Ariano Suassuna, dramaturgo e poeta, aos 87 anos com honrarias militares, bandeiras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Brasil e de Pernambuco estampadas sob o caixão, foi sepultado no cemitério Morada da Paz, na Grande Recife.
Autor de célebres obras literárias, já em 1947 junto com Hermilo Borba Filho. fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco e escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol, que deu início a uma carreira literária premiada. Entre elas em 1955 lançou Auto da Compadecida que o projetou em todo o país. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi diria que a peça é "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".Considerada sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema.
Ocupante da 32ª Cadeira da Academia Brasileira das Letras, com a frase "Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa." Traduz sua trajetória nesta vida.


Noturno

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida

e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

Ariano Suassuna

sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Um romance são tantos romances quantos forem seus leitores."


  " ...Sou um romancista, um contador de histórias, cuja modesta cultura literária foi adquirida num convívio arrebatado com os livros de ficção, a Poesia e o Teatro"... 
Esse  foi o discurso de posse do Romancista e Acadêmico João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro, ocupante da  34º cadeira  da Academia Brasileira de Letras, que Aos 73 anos de idade, com uma modéstia que somente os grandes possuem, deixa esse mundo alastrando saudade e a certeza de que não poderá ser substituído.




Seu legado com mais de vinte obras no decorrer desses anos, entre romances, crônicas, ensaios. literatura infanto juvenil e ainda contribuição na televisão e cinema, é o que realmente o tornou imortalizado em nossa literatura e cultura
O estilo irônico e cheio de humor, descreve em seus personagens uma brasilidade surpreendentemente pura e sincera, como uma reinvenção vista pelo avesso, causou incredulidade e espanto por parte da crítica. 







No romance Sargendo Getulio, ganhador do prêmio Jabuti de 1972 como autor revelação, essa mesma crítica  consagra o livro como o que contém de melhor de Gaciliano Ramos e Guimarães Rosa.


Seu primeiro livro, Setembro Não Tem Sentido, foi lançado em 1968. O segundo veio em 1971, o clássico Sargento Getúlio, considerado um marco do romance moderno brasileiro, que trata do universo nordestino, em especial dos sergipanos. Em seguida lançou Vila Real (1979) e Viva o Povo Brasileiro (1984).
Entre suas obras mais famosas está também A Casa dos Budas Ditosos (1999), que se tornou um sucesso no teatro em formato de monólogo com a atriz Fernanda Torres, na pele de uma senhora de 68 anos que narra, sem pudores, suas peripécias sexuais. O último romance de Ubaldo foi O Albatroz Azul, lançado pela editora Nova Fronteira em 2009.
Além dos dois Jabutis, Ubaldo venceu em 2008 o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa. Fora do Brasil, foi laureado na Alemanha e na Suíça. Seus livros foram traduzidos em doze línguas, como o inglês, espanhol, finlandês, francês, hebraico e italiano.





S

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A verdadeira atitude Rock in Roll


Esta semana fui supreendida com a notícia de que a banda Guns N' Roses irá terminar e Axl Rose irá se aposentar. Verdade ou mentira, a polêmica girou sobre a sua capacidade vocal.
Nunca fui fã fervorosa de Guns N' Roses. Aliás, os fanáticos que me desculpem, mas para mim Chico Buarque (outro rebelde do seu tempo)  é fundamental. Entretanto, pude acompanhar a energia febril, a fúria, o espírito rebelde e livre de Guns N’ Roses que a partir de 1987 aclamou o rock  pelo mundo;
Fiquei fã  incondicionalmente de Axl Rose e da banda  (com a atual formação) no show do Rock in Rio de 2011, quando uma chuva torrencial atingiu o palco, danificando os equipamentos (o que causou o atraso de 3 horas); Os músicos encharcados, (Axl  doente) ; e se apresentar naquele estado, com estrutura "pifada" , sem se importar com nada  a não ser seu público pode ser traduzido como a verdadeira atitude Rock N’ Roll.
Estive no Show da  South American Tour 2014  - na Arena Anhembi em São Paulo, em março, e pelas críticas, a impressão é que fui em outro evento diferente de outros jornalistas e blogueiros, que insistem em publicar sobre a aparência, o figurino, a antiga formação e críticas sobre a performance vocal.
No Palco do Anhembi  um Axl Rose "bem humorado", ciente de sua competência e efeito que causa , encantou. Conhecido por sua personalidade imprevisível, trouxe sua rebeldia genuína e sincera, que mantém vivo o espírito efervescente e contestador do rock,  e vem aplacar contra essa onda chata e enfadonha do "politicamente correto",  milimetricamente formatado dentro da caixa (somente figurino, tatuagens e (des)penteados) sem essência.

 O seu magnetismo é incontestável. No palco a sua voz, interpretação e envolvimento com a música hipnotiza. A discussão sobre o peso, os atraso nas apresentações,  a comparação entre a formação antiga e atual, o álbum que demorou oito anos, já virou um clichê chato e vazio. Claro que o cara mudou... são  52 anos! Bem vindos "molecada", é isso que acontece depois dos 30 anos.
A formação antiga... ah não podemos negar... era eletrizante! Entretanto os integrantes atuais são ótimos músicos. Para comprovar, é só ouvir o Chinese Democracy, que numa época em que não se vende mais cds, já atingiu 5 milhões de cópias pelo mundo.
Axl Rose conseguiu reunir virtuosos músicos, gravou um álbum extraordinário e honrou a histórica e lendária banda. Ele é o Guns N' Roses. E dentre o "mimi" dos fãs saudosistas do Slash, vale lembrar que seu Show realizado em São Paulo no Espaço das Américas em 2012, trouxe 5 mil  (estive la), enquanto o Guns lotou o Sambódromo com 28 mil pessoas.

Richard Fortus (Guitarra), Dizzy Reed (teclados),  Ron “Bumblefoot” Thal (Guitarra),, Axl Rose, DJ Ashba (guitarra) Chris Pitman (teclados)Tommy Stinson (Baixo), e Frank Ferrer (bateria0
 Nesta semana, foi publicado no O Globo que o Axl Rose é eleito cantor de maior alcance vocal do mundo (The World’s Greatest Singers- criado por Concerthotels.com para celebrar os Billboard Music Awards 2014).


Axl Rose também recebeu este mês da O REVOLVER GOLDEN GODS AWARDS que  aconteceu no dia 23, na Califórnia. O Premio  "Ronnie James Dio Lifetime Achievement Award", foi entregue pelo ator Nicolas Cage, que elogiou a característica única do cantor ser ele mesmo durante toda sua carreira.

sábado, 17 de março de 2012

Dia da Poesia

O dia nacional da poesia é em 14 de março, homenageando Castro Alves. A data de seu aniversário.  Atualmente, há um Projeto de Lei do Senado (Nº 501 de 2009), que tenta mudar a data para o aniversário de Carlos Drummond de Andrade - 31 de outubro.
.
Fui até Copacabana contar a novidade a ele. 
A poesia de Drummond que conquistou meu coração:
 Os Poderes Infernais

O meu amor faísca na medula,
pois que na superfície ele anoitece.
Abre na escuridão sua quermesse.
É todo fome, e eis que repele a gula.

Sua escama de fel nunca se anula
e seu rangido nada tem de prece.
Uma aranha é que o tece.
O meu amor, paralisado, pula.

Pulula, ulula. Salve, lobo triste!
Quando eu secar, ele estárá vivendo,
já não vive de mim, nele é que existe

o que sou, o que sobro, esmigalhado.
O meu amor é tudo que, morrendo,
não morre todo, e fica no ar, parado.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

ADEUS SARAMAGO

Morre aos 87 anos o escritor Portugues José Saramago.
Considerado o escritor contemporâneo mais universal
da literatura portuguesa,
suas palavras dizem mais que qualquer coisa
que se possa dizer agora.




"Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(…) Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(…)"
A Jangada de Pedra- 1986




Poema à boca fechada




Não direi:


Que o silêncio me sufoca e amordaça.


Calado estou, calado ficarei,


Pois que a língua que falo é de outra raça.




Palavras consumidas se acumulam,


Se represam, cisterna de águas mortas,


Ácidas mágoas em limos transformadas,


Vaza de fundo em que há raízes tortas.




Não direi:


Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,


Palavras que não digam quanto sei


Neste retiro em que me não conhecem.




Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,


Nem só animais bóiam, mortos, medos,


Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam


No negro poço de onde sobem dedos.




Só direi,


Crispadamente recolhido e mudo,


Que quem se cala quando me calei


Não poderá morrer sem dizer tudo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Junto aos Imortais



Escritora Imortal Lygia Fagundes Telles homenageada na UBE


Ler sempre foi meu Hobby. Sonho realizado é estar no mesmo evento, que a escritora Lygia Fagundes Telles (representando a Academia Brasileira de Letras).
O evento aconteceu no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, na posse da nova diretoria da (UBE) União Brasileira de Escritores.
Na sala Vladmir Herzog, tive o prazer de conhecer Audálio Dantas, jornalista e escritor, presidente do Sindicato dos Jornalistas, na época do assassinato de Herzog pelo regime militar, e lendário militante pelos direitos da classe.
Também tive o privilegio de conhecer o Escritor, Jornalista e Advogado Djalma Allegro, que espero ter a oportunidade e o prazer de conversar um bocadinho mais...

Audalio Dantas, Djalma Allegro e David da Silva

Agradeço tambem a oportunidade de compartilhar esse momento inesquecivel ao meu grande amigo Jornalista David da Silva e ao meu companheiro de "copo e de cruz" Anderson Siqueira. Nesta mesma noite, um pouco distante de meu ofício, ouvi uma poesia, lida pelo Presidente Joaquim Maria Botelho, que me fez não só retomar a minha paixão, como modestamente ensaiar esse blog.
Reproduzo aqui a poesia de Ruth Guimarães, com os mais sinceros agradecimentos de ter cumprido seu papel, tocar a minha alma.







"Para quê e para quem escrevo?

Indago de mim mesma e encontro numerosas respostas, possivelmente nenhuma correta.

Para obter honra e glória? Para dizer tudo o que penso? Para me aproximar do semelhante? Para tentar derrubar o muro que separa um ser de outro ser?

Para aprender o sortilégio da vida, que, de outro modo, não alcanço?

Para justificar esta minha existência?

Para deixar impressos no mundo os traços da minha passagem?

Então, será para mim mesma que escrevo?

Ah! Eu conto histórias para quem nada exige, e para quem nada tem.

Para aqueles que conheço: os ingênuos, os pobres, os ignaros, sem erudição nem filosofias.

Sou um deles. Participo do seu mistério.

Essa é a única humanidade disponível para mim.

Quem me dera escrevesse com suficiente profundeza, mas claramente e simplesmente, para ser entendida pelos simples e ser o porta-voz dos seus anseios.

Meu temário são as acontecências sem eco no mundo, mas que ajudam a explicar a vida e seus segredos, que talvez possam conter a alma imortal de cada um, seja do rústico, seja do letrado, com suas virtudes essenciais.

Não realizo o alcance do meu clamor, como não reconheço, fora de mim, gravada, a minha própria voz.

Ela me parece feia, inexpressiva, não a reconheço, não é a que escuto com a garganta, minha, em mim, nas profundezas do ser.

Falta-me distância, falta-me perspectiva.

Depois que escrevo, passo a limpo.

Depois de pronto o texto, para ser publicado, dado à luz, não o perfilho mais.

Fora de mim, não tem já aquela quente singularidade do instante em que eu o concebia e gestava, em paixão e silêncio.

Não significa sequer o quanto vivo a vida, nem quanto a amo.

Escreverei, hoje, para hoje? Que é quanto dura uma crônica de jornal? Para amanhã?

Para daqui a um ano? Para daqui a uma década, que é quanto dura – quem sabe? –um livro? Não sei. Realmente não sei.

Continuo tecendo o meu casulo.

Em meus textos, onde estou?

Do que dou testemunho, certamente, é que eu estava mesmo aqui, enquanto os escrevia."


Ruth Guimarães